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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

William Wordsworth (2)

Quando ficamos demasiado tempo separados
De nós mesmos pela pressa do mundo, e desanimados,
Enfastiados com o que nele existe e cansados dos seus prazeres,
Sentimos como é agradável e amena a Solidão;
Como é forte uma simples imagem do seu poder,
Maior ainda quando se agrava no espírito
Como se fosse um alvo apropriado - um eremita
Que fica oculto no seio do deserto;

in Prelúdio, edição Relógio D'Água, 2011.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

William Wordsworth

Neste triste deserto de esperanças destruídas,
Se, na diferença e apatia
E cruéis exultações quando tantos homens bons,
Sem sabermos como, soçobram
No egoísmo que se disfarça com nomes sedutores
De paz, tranquilidade e amor familiar,
Mas insidiosamente misturado com escárnios
A respeito de espíritos visionários, se nestes tempos
De abandono e desânimo, eu, todavia,
Não desesperar da nossa natureza, mas conservar
Uma crença mais que romana, uma fé
Inabalável, que é em todos os infortúnios o meu apoio,
A bênção da minha vida - este dom é vosso,
Ventos e cascatas sonoras! É vosso,
Montanhas! Teu, ó Natureza! Tu alimentaste
As minhas altas meditações; e é só em ti
Que descubro para o nosso coração ansioso
Um princípio de alegria sempre inabalável
E da mais pura paixão.
in O Prelúdio, trad. Maria de Lourdes Guimarães, edição Relógio D'Água.