sábado, 8 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Linguagem e Amor
Voltaste
da sombra com o teu rosto
Que ficou ainda por dizer
Que ficou ainda por dizer
Lábios tocaram palavras
palavras corpos
lábios lábios
palavras corpos
lábios lábios
em direcção ao mar
(...)
Quem me dera que a chuva viesse e nos diluísse um ao outro, e pela noite corrêssemos como um regato em direcção ao mar.
Quem me dera que a chuva viesse e nos diluísse um ao outro, e pela noite corrêssemos como um regato em direcção ao mar.
domingo, 18 de novembro de 2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
a ponte
Se me disserem que estás do outro lado
de uma ponte, por estranho que pareça
que estejas do outro lado e que me esperes,
eu atravesso essa ponte.
Diz-me qual é a ponte que separa
a tua vida da minha,
em que hora negra, em que cidade chuvosa,
em que mundo sem luz está essa ponte,
e eu atravesso-a.
[Trad. Inês Dias]
eu atravesso essa ponte.
Diz-me qual é a ponte que separa
a tua vida da minha,
em que hora negra, em que cidade chuvosa,
em que mundo sem luz está essa ponte,
e eu atravesso-a.
[Trad. Inês Dias]
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Discurso Amoroso
A CONVERSA
DECLARAÇÃO. Propensão do sujeito apaixonado para falar abundantemente, numa emoção contida, com o ser amado do seu amor, dele, de si, de ambos: a declaração não incide sobre a forma, infinitamente comentada, da relação de amor.
1. A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem contra o outro. É como se tivesse palavras de dedos ou dedos na extremidade das minhas palavras. A minha linguagem treme de desejo. A emoção resulta de um duplo contacto: por um lado, toda uma actividade de discurso vem acentuar discretamente, e indirectamente, um significado único, que é "eu desejo-te", e liberta-o, alimentando-o, ramificando-o, fá-lo explodir (a linguagem tem prazer em tocar-se a si própria); por outro lado, envolvo o outro nas minhas palavras, acaricio-o, toco-lhe, mantenho este contacto, esgoto-me ao fazer durar o comentário ao qual submeto a relação.
(Falar apaixonadamente é gastar sem termo, sem crise; é manter uma relação sem orgasmo. Existe talvez uma forma literária para este coitus reservatus: é a afectação.)
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Al Berto - Diários
(...)
...tudo o que eu gostaria de ter aqui está tão longe, não sei aonde, está longe o amor que às vezes esperava. E não virá...
Consolo a minha saudade com fotografias tuas. Mas sei que há muito se apagaram os sorrisos do teu rosto. Envelhecemos separados, tenho pena, agora já é tarde, estou cansado demais para as alegrias dum reencontro. Não acredito na reconciliação ainda menos no sorriso que fizeste para as fotografias...
(...)
In Diários, Al Berto, edição Assírio, 2012.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
My hands up
turning into something I can't cope
with not having
stop, stop it
could I put my hands up
and ask that you stop
do I need to be in love
I'm lost when it's just me
with only a hope to make
you happy enough to stay
return the words, the looks
I give you like they're falling out of me
seconds change
and at the end
your face is inerasable
true, I need to be in love
I'm lost when it's just me
with only a hope to make
you happy enough
do I need to be in love
what is there otherwise from loving
just takes a face
to make everything else erase
stop, stop it
could I put my hands up
and ask that you stop
as mãos
Recomecemos então, as mãos
palma com palma.
Diz, não digas, a palavra.
As palavras terão sentido ainda?
Haverá outro verão, outro mar
para as palavras?
Vão de vaga em vaga,
de vaga em vaga vão apagadas.
Seremos nós, tu e eu, as palavras?
Onde nos levam, neste crepúsculo,
assim palma a palma,
de mãos dadas?
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Conheço o sal da tua boca
Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minha mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
dá-me o que tens
A pele é o meu único limite
atravessa-a
onde a luz é mais forte
não feches lá fora o mundo
nem a mim cá dentro
mostra-me
que o sol no céu
é o sonho em mim própria
a realidade ardente
quando me mordes
e me fazes sentir
que não há diferença
entre lado de fora e lado de dentro
entre dor e carícia
pedra e palavra
porosa às tuas investidas
sou aquela que
se abre em desejo
de existir no mundo
em todo o lado e ao mesmo tempo
dá-me o que tens
de tudo
não exijo mais nada.
atravessa-a
onde a luz é mais forte
não feches lá fora o mundo
nem a mim cá dentro
mostra-me
que o sol no céu
é o sonho em mim própria
a realidade ardente
quando me mordes
e me fazes sentir
que não há diferença
entre lado de fora e lado de dentro
entre dor e carícia
pedra e palavra
porosa às tuas investidas
sou aquela que
se abre em desejo
de existir no mundo
em todo o lado e ao mesmo tempo
dá-me o que tens
de tudo
não exijo mais nada.
onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo
Claro que se tem medo que alguém nos entre pelos olhos.
Mas podes arder. Para a tua temperatura sou mercúrio,
linhas de mão, lábio e sopro. Atravesso-te porque
me atravessas e onde somos corsários rendemo-nos ao encanto da devolução.
Tu e eu à porta de um lugar que vai fechar tudo numa árvore.
Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda
a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo.
Sou um animal. Necessito diariamente da transfusão de uma
enorme quantidade de calor. Tocas-me?
Subscrever:
Mensagens (Atom)













