quinta-feira, 4 de outubro de 2012

dá-me o que tens

A pele é o meu único limite
atravessa-a
onde a luz é mais forte
não feches lá fora o mundo
nem a mim cá dentro

mostra-me
que o sol no céu
é o sonho em mim própria
a realidade ardente
quando me mordes
e me fazes sentir
que não há diferença
entre lado de fora e lado de dentro
entre dor e carícia
pedra e palavra

porosa às tuas investidas
sou aquela que
se abre em desejo
de existir no mundo
em todo o lado e ao mesmo tempo

dá-me o que tens
de tudo
não exijo mais nada.

onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo


Claro que se tem medo que alguém nos entre pelos olhos.
Mas podes arder. Para a tua temperatura sou mercúrio,
linhas de mão, lábio e sopro. Atravesso-te porque
me atravessas e onde somos corsários rendemo-nos ao encanto da devolução.
Tu e eu à porta de um lugar que vai fechar tudo numa árvore.
Aqui onde os minutos são a rua em que nos sentamos toda
a tarde à espera do silêncio, onde o teu corpo pesa a medida exacta do meu desejo.
Sou um animal. Necessito diariamente da transfusão de uma
enorme quantidade de calor. Tocas-me?

Olho-te pelo reflexo 
Do vidro 
E o coração da noite 

E o meu desejo de ti 
São lágrimas por dentro, 
Tão doídas e fundas 
Que se não fosse: 

o tempo de viver; 
e a gente em social desencontrado; 
e se tivesse a força; 
e a janela ao meu lado 
fosse alta e oportuna, 

invadia de amor o teu reflexo 
e em estilhaços de vidro 
mergulhava em ti.

it may not always be so

it may not always be so; and i say that if your lips, which i have loved, should touch another's, and your dear strong fingers clutch his heart, as mine in time not far away; if on another's face your sweet hair lay in such a silence as i know, or such  great writhing words as, uttering overmuch, stand helplessly before the spirit at bay; if this should be, i say if this should be- you of my heart, send me a little word; that i may go unto him, and take his hands, saying, Accept all happiness from me. Then shall i turn my face, and hear one bird sing terribly afar in the lost lands.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

i like your body

i like my body when it is with your body. It is so quite new a thing. Muscles better and nerves more. i like your body. i like what it does, i like its hows. i like to feel the spine of your body and its bones, and the trembling -firm-smooth ness and which i will again and again and again kiss, i like kissing this and that of you, i like, slowly stroking the, shocking fuzz of your electric fur, and what-is-it comes over parting flesh… And eyes big love-crumbs, and possibly i like the thrill of under me you so quite new

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O amor não se desata (fabulosa Aldina Duarte)


Enquanto, perverso, rias
Tu fizeste o que podias
Para eu deixar de te amar;
Tornaste as noites vazias
E, não fosse eu querer esperar
Anoiteceste os meus dias

Inventaste mil pecados
Que eu não tinha cometido / *Mil mentiras sem sentido*
Desmanchaste os meus bordados
E retalhaste o vestido / Com que eu me tinha casado

Como bem sabes agora
*E hás-de sentir vida fora* / Tanto mal era escusado
Se te querias ir embora
Não ganhaste com a demora / Senão partires mais culpado

Não nego que em doeu
Mas juro que até á data / A dôr de nada valeu
O amor não se desata
E a tua paixão morreu / Mas a minha não se mata

Poema de Maria Do Rosário Pedreira.


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Para nós


Se ando cheio, me dilua.
Se estou no meio, conclua.
Se perco o freio, me obstrua.
Se me arruinei, reconstrua.

Se sou um fruto, me roa.
Se viro um muro, me rua.
Se te machuco, me doa.
Se sou futuro, evolua.

Você que me continua.
Você que me continua.
Você que me continua.

Se eu não crescer, me destrua.
Se eu obcecar, me distraia.
Se me ganhar, distribua.
Se me perder, subtraia.

Se estou no céu, me abençoe.
Se eu sou seu, me possua.
Se dou um duro, me sue.
Se sou tão puro, polua.

Você que me continua.
Você que me continua.
Você que me continua.

Se sou voraz, me sacie.
Se for demais, atenue.
Se fico atrás, assobie.
Se estou em paz, tumultue.

Se eu agonio, me alivie.
Se me entedio, me dê rua.
Se te bloqueio, desvie.
Se dou recheio, usufrua.

Você que me continua...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

As if ignorance was my secret desire...

(...)
Variations on emptiness
Great themes on vain glory

And as some go feral in strange performances
Dressing customs that are metaphors
Of your disease
Hungry eyes are looking for Me...Mephisto

Laughing, I feed you
With meaningless games, tricks and philosophies
Whose answers you would die for
In your hunger to believe

(...)


in Mephisto; Moonspell Irreligious, 1996.
Texto de Fernando Ribeiro  
Fotografia de Paulo Moreira

segunda-feira, 4 de junho de 2012

quarta-feira, 23 de maio de 2012

como joyce em trieste



Desço de carro pela margem do Arno,
com o livro de alemão sobre os joelhos, como
Joyce em Trieste, atravesso distraído
zonas de peões, vejo os meus ombros
em todas as montras, e é tudo, nem
danças nas praças, nem raparigas
com vestidos de seda, nos arbustos, Ulisses,
com ar de parvo, sorri embaraçado,
de que me servem as palavras?, tusso,
agradeço, isto não vale um chocolate,
e entro num café para morrer.


in como se fosse a minha vida, edição Quetzal, 1994.
Via Canal de Poesia.

terça-feira, 22 de maio de 2012

s/título

Sentir a tua pele contra a minha,
os teus lábios
nos meus,
a tua pálpebra na minha boca
fundidos no futuro que nos aguarda.

não houve tempo antes de nós

quando te beijo
é só a forma dos meus lábios dizerem que sim
e de os teus lábios dizerem que não
que não houve tempo antes de nós